Saúde mental: O que é “Languishing” e como ele afeta o trabalho?

Há já algum tempo que assuntos relacionados à saúde mental ganharam atenção. Mas tantos anos de negligência fizeram com que a sociedade precise se esforçar ainda mais para garantir a conscientização que o tema merece.

Parte essencial da vida das pessoas, o trabalho exerce papel fundamental na manutenção da saúde mental. Contudo, essa relação não é unilateral: as empresas também podem sofrer com o crescimento dos casos de transtorno mental entre suas equipes.

Falar sobre saúde mental no trabalho é cuidar para que ambos se mantenham saudáveis, empresas e pessoas. Afinal, transtornos mentais de qualquer natureza custam muito caro. Explica-se: esses problemas tendem a afastar as pessoas de suas posições profissionais por muito tempo e, mesmo quando voltam, podem haver recaídas. 

Sendo assim, considerando os óbvios prejuízos que negligenciar a saúde mental pode ter nas pessoas e as consequentes perdas para o mercado de trabalho, apresentamos neste artigo um novo termo a ser observado, o chamado “Languishing”.

Tópicos deste artigo

O que é “Languishing”?

Em tradução literal para o português, “languishing” é uma palavra inglesa que significa “definhamento”. Esse termo é definido como um enfraquecimento que acontece devagar, extenuação, abatimento ou debilitação progressiva.

Na prática, “Languishing” é um termo cunhado pelo sociólogo Corey Keyes e descrito pelo psicólogo organizacional Adam Grant no jornal The New York Times para definir um estado emocional que, em sua essência, se define pelo vazio.

A palavra foi criada para nomear uma condição de saúde mental que parece estar no meio do caminho entre a sensação de bem-estar – de quem se sente satisfeito, feliz e completo com a própria vida – e a depressão – de quem experimenta continuamente a sensação de infelicidade, mal-estar e ansiedade.

Obviamente, o “Languishing” não se posiciona de maneira neutra no espectro dos transtornos que afetam a saúde mental das pessoas. Pode-se classificá-lo como uma espécie de limbo emocional que pode até estar no meio do caminho entre o bem e o mal-estar, mas com certeza não é neutro e nem positivo.

Como identificar os sinais de “Languishing” na saúde mental?

O principal impacto do “Languishing” na saúde mental pode ser observado por uma apatia persistente. Até por isso é difícil defini-lo: ele consiste justamente na ausência de emoções claras. É um vazio emocional.

Estes sintomas e até o próprio termo já eram conhecidos pelos especialistas em saúde mental e observados em vários pacientes. A diferença é que, antes, cada pessoa tinha uma razão para ser acometida pela condição. Hoje em dia, o termo ganha destaque por ter um motivador comum para ser observado em várias pessoas ao mesmo tempo: a pandemia do covid-19, causada pelo coronavírus.

Além da ansiedade causada pela incerteza em relação ao futuro, da depressão pela perda de tantas pessoas – entre elas, amigos e familiares -, da preocupação pelos planos adiados e do esgotamento diante das notícias pouco animadoras sobre o avanço da doença, o número de pessoas que passou a se queixar deste outro processo, menos expressivo, mais apático, aumentou muito.

“Languishing” e saúde mental no mercado de trabalho

Estima-se que, em breve, não haverá especialistas em saúde mental suficientes para tratar de todas as pessoas debilitadas por transtornos desse tipo. A preocupação, aliás, é de que seja o próprio “Languishing” que esteja apontando para uma explosão, nas próximas décadas, de doenças mentais como a depressão – que já é uma das maiores causas de incapacitação no mundo.

O medo é de que o impacto na saúde mental das pessoas seja uma espécie de “quarta onda” da pandemia, com os transtornos mentais no centro das atenções médicas. Isso porque o período de isolamento intensificou medos e paralisou esforços, podendo intensificar problemas pré-existentes.

Como dito na introdução deste artigo, a saúde mental precisa ser debatida como um aliado estratégico no mercado de trabalho. Isso porque ela acomete a principal parte de todo negócio: as pessoas. Sem elas, a perda econômica é gigantesca, para se dizer o mínimo.

Na rotina profissional, alguém que sofre com o “Languishing” pode ficar desmotivado e, aos poucos, perder a produtividade. Este tipo de perda não compromete só o desempenho do indivíduo em seu trabalho, mas também sua vida pessoal, já que um fator importante para a nossa alegria (independentemente da ocasião ou do espaço) é a sensação de progresso.

Por isso, é de extrema importância cuidar da saúde mental dos colaboradores e colocar, cada vez mais, o tema em pauta. Alinhar comportamentos mais saudáveis entre líderes e gestores e investir em campanhas que promovam uma cultura mais acolhedora é essencial.

Como cuidar da saúde mental e combater o “Languishing”?

Um dos processos mais importantes nesse momento é o de conscientização sobre o transtorno mental e o primeiro passo já foi dado: nomeá-lo. Nomear o que se sente nos dá a possibilidade de transformar as coisas.

Identificamos também que seus sintomas são resultados, hoje em dia, de todos os efeitos relacionados às dúvidas sobre o que ainda está por vir em relação à pandemia.

Ainda sobre os efeitos da pandemia, também devemos ficar atentos ao fato de que o grupo mais atingido pelo “Languishing” são as mulheres. Isso pelo seu acúmulo de funções enquanto trabalham fora de casa e ainda precisam acompanhar o desenvolvimento escolar dos filhos e dar conta dos afazeres domésticos. São elas, na verdade, quem tem sofrido muito mais os outros tantos efeitos emocionais causados pela pandemia.

Outro grupo muito atingido é o dos jovens. Impactados pela diminuição da interação social e principalmente pela falta de perspectivas, não é incomum que muitos deles estejam enfrentando transtornos ligados à saúde mental.

Munidos de quanto mais informações pudermos, ainda assim não há uma fórmula para evitar o “Languishing” no plano individual – como não há em nenhum outro transtorno mental, na verdade. O que podemos fazer, entretanto, é usar de pequenas atitudes para tentar nos livrar dessa sensação apática e vazia:

Tente focar no agora

É importante nos conectar com o tempo presente para evitar angústias e ansiedade. A ideia é tentar viver o momento e tentar focar em pequenos objetivos a serem alcançados imediatamente.

Você pode canalizar sua energia para ler um livro, aprender a tocar um instrumento, estudar um assunto que te interesse ou até cozinhar seu prato preferido. O importante é concluir algo que você goste e queira fazer agora.

Encante-se sem medo

Envolva-se com algo que te deixe encantado, que te arranque suspiros. Pode ser o seu filme favorito ou aquele que você queria ver há muito tempo. Podem ser as músicas que você ama ou um espetáculo, mesmo que você o assista através de uma tela.

É importante tentar esquecer desse “modo de sobrevivência” que a pandemia ativou em nós. Tente retomar seus laços com a arte e com tudo que te encanta.

Pratique a autocompaixão

Uma boa prática para sua saúde mental é se perdoar e não exigir tanto de você mesmo. Isso significa não se desesperar sempre que não conseguir concluir uma tarefa em tempo por só ter mesmo vontade de deitar no sofá e olhar para o teto. 

Entenda que não dá pra ser produtivo o tempo todo e está tudo bem. Isso desde que você passe a tentar reconhecer e entender a razão desse sentimento incapacitante. A emoção negativa virá na sequência de uma tarefa não concluída, mas você pode compreendê-la, observá-la com calma e pensar em estratégias para evitar a próxima vez. Lute contra os padrões e recalibre suas expectativas de acordo com o momento em que vive!

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